por Joana D'arc
Seu primeiro contato
com a música foi aos 12 anos. Gostaria que você fizesse um breve histórico de
sua trajetória desde então, destacando suas maiores influências.
Marcelo Souza: Iniciei meus estudos como autodidata
no violão, tive algumas orientações de um tio que também tocava. No início,
passava muitas horas tocando, tirando músicas de ouvido e praticando
exercícios. Acabei me apaixonando pela guitarra ouvindo Iron Maiden, Guns,
Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin no início, em seguida vieram os guitarristas
como Steve Vai, Yngwie Malmsteen, Paul Gilbert, Joe Satriani, Frank Gambale e
Steve Morse, que me fizeram “virar” a cabeça (risos), me fazendo estudar muito
a sério música. Nessa época já havia estudado violão clássico um bom tempo num
conservatório e feito algumas aulas particulares de teoria musical e arranjo,
então decidi que ia fazer Faculdade de Música, e foi o que aconteceu... Conheci
muitos músicos de estilos diferentes, tocava quase todos os dias absorvendo
tudo o que podia e, além disso, tinha um quarteto de Jazz e Música Brasileira
chamado “Quartemma”, onde aprendi muito, improvisando e compondo dentro desses
estilos, além de ter tido ótimos professores nesta época... Não demorou muito
pra ser convidado a acompanhar artistas de nome na minha região e no Brasil. Viajava
bastante, tocava à noite, em bailes, shows para 50.000 pessoas, etc. Resumindo,
ganhei muita experiência. Eu sempre fui apaixonado por música instrumental,
então compunha muito, e tirava muitos covers de guitarristas consagrados sempre,
e ainda faço isso até hoje, como tenho um instituto de guitarra, o “IMMS”, no
qual eu leciono, estou sempre atendendo aos pedidos dos alunos de Músicas de
todos os estilos, com uma atenção especial ao lado técnico e teórico. Aperfeiçoei
algumas músicas e defini o repertório para gravar meu 1º CD (já havia gravado
algumas demos antes, mas nada com a qualidade que queria) e trabalhei bastante
neste foco.
Em setembro de 2011, você lançou seu primeiro trabalho, o instrumental “Circle
of Fire”. Como foi gravá-lo e como você avalia a recepção do álbum?
Marcelo: Este disco marcou minha carreira,
por ser o primeiro disco gravado num estúdio do porte que gravei, com músicos
de alto gabarito e com músicas de nível alto técnico. Passei mais de dois anos
no estúdio, devido à correria do trabalho com minhas aulas e shows, tive que
administrar muito bem pra chegar ao resultado que queria. Os músicos dispensam
comentários, são muito bons, então neste aspecto não tive dificuldades. Sobre a
recepção do público estou muito feliz, pois estou tendo um ótimo retorno e
sensação de que fiz e estou fazendo a coisa certa. E continuo trabalhando
bastante na divulgação, graças a Deus com destaques na mídia especializada, revistas,
blogs e redes sociais.
A ideia de gravar um
álbum instrumental vem desde o início, quando você começou a tocar ou levou
algum tempo para que você tomasse essa decisão?
Marcelo: Sempre quis fazer um disco instrumental,
desde o início, tinha bandas de metal e hard rock com composições próprias e
sempre “brigava” pra encaixar algo instrumental no repertório (risos). Mas,
claro que não descarto a possibilidade de ainda gravar com vocal em algum dos
próximos trabalhos, aí vai depender de como as coisas irão acontecer...
Qual a concepção por trás do nome “Circle of Fire” e dos títulos das
composições?
Marcelo: Boa esta pergunta (risos). Tinha uma
música que acabou dando este título ao álbum também, quer tem uma pegada muito forte,
temas clássicos com violões, e muito pesada... Eu sabia que queria algo com
“fogo” que representaria bem a ideia, e andei pesquisando. Círculo de fogo, além de ser uma área onde há um grande número de terremotos e uma forte atividade vulcânica, localiza-se na bacia do Oceano Pacífico, achei interessante e coloquei este nome!
Sobre a capa do disco: de onde veio a ideia para sua criação?
Marcelo: Passei mais ou menos o que queria
para o Douglas, designer que aperfeiçoou a ideia, que ia me mostrando muitas opções,
não teve muito que pensar, eu apenas queria uma foto dentro de um círculo de fogo,
fomos apenas lapidando até chegar ao resultado definitivo...
Como você disse anteriormente, você leciona violão e guitarra em seu
Instituto musical. O que o motivou a fundá-lo e como você analisa a importância
da música na vida de seus alunos?
Marcelo: Eu amo lecionar, estar dando aulas,
ajudando os alunos a crescerem a cada dia na música, então sou muito feliz por isso,
pois atendo muita gente da minha região (Taubaté - Vale do Paraíba), desde
iniciantes até profissionais, que buscam se aperfeiçoar na arte, tanto no
violão quanto na guitarra. Então digo sempre que foi naturalmente que a coisa aconteceu,
não pude evitar, assim busquei “oficializar” o curso, montando o “Instituto Musical Marcelo Souza” e
trabalho já há 14 anos na área didática.
Como você cuida da
produção, gravação e demais detalhes para obter os resultados desejados em
estúdio?
Marcelo: Não é uma tarefa muito fácil, pois
requer muita dedicação, paralela à parte “prática”. Vou fazendo também naturalmente,
junto à pré-produção, os ajustes, temas e timbres, títulos, as gravações,
aperfeiçoando aos poucos, revisando, ouvindo opiniões dos músicos envolvidos, e
então chego ao que quero.
Como você vê a aceitação de álbuns instrumentais no Brasil? Você acha que os
artistas que realizam trabalhos nessa linha têm o devido reconhecimento no
nosso país?
Marcelo: Bom, sabemos todos que o rock em
todas as suas vertentes, em geral é um estilo bem específico, e se o músico
busca “sucesso e fama”, é um caminho complicado a seguir, mas hoje em dia, eu
pelo menos, busco fazer um bom trabalho para, com uma boa divulgação, fazer o
máximo de pessoas conhecerem e apreciarem meu trabalho, conquistar uma
reputação entende? O resto é consequência mesmo...
Fugindo um pouco do comum, você já deve ter ouvido falar em “GAS” (Gear Acquisition Syndrome), numa tradução literal, ‘Síndrome de Aquisição de Equipamento’, que acompanha muitos guitarristas mundo afora (risos). Você já sofreu dessa síndrome?
Marcelo: Sim (risos). Mas, como viver de música não é fácil, sei dar valor a cada centavo na hora de adquirir algum amplificador, ou guitarra nova. Hoje, graças a Deus, com muito (N.R. enfático) trabalho, tenho o equipamento que sempre quis ter: as guitarras, efeitos, amps, etc. Mas as vezes não resisto a um pedalzinho novo (risos).
Quais são seus planos para o restante de 2012?
Marcelo: Tenho algumas propostas para
realizar eventos, workshops e shows no segundo semestre ainda, pretendo
continuar divulgando meu trabalho, tocar bastante, e trabalhar em novas composições,
que já estão surgindo para um futuro 2º disco.
Deixo o espaço livre caso você queira acrescentar algo...
Marcelo: Gostaria de agradecer muito pelo
espaço e convite, agradecer meus apoios: “Hero
Straps & Bags E Engeáudio”, aos alunos do meu Instituto, amigos e todos
aqueles que estão comprando meu CD, acompanhando meu trabalho sempre! Meu muito
obrigado!!!!!