domingo, 26 de fevereiro de 2012

Razonator: orgulho de ser Southern!

por Joana D'arc


Dedicação! Os caras da Razonator seguem à risca esse termo: tendo passado por momentos difíceis, inclusive dando uma pausa nas atividades, a banda sempre mostrou que o amor à música fala mais alto e é mais forte do que os problemas. É preciso empenhar-se e dar o melhor de si para continuar lutando e provar que ainda existem pessoas aptas a fazer música de qualidade no nosso país. Abaixo, uma entrevista realizada com Eddie Brandoff (resonator guitar/vocal) e Júlio Mendoza (guitarra/backing vocal) falando a respeito da fase atual da banda, das dificuldades enfrentadas, do novo single a ser lançado, entre outros aspectos. Acompanhem.

Recentemente, vocês tiveram a saída de dois integrantes da banda, Daniel Heinzl e Caio Gaona. Vocês poderiam comentar a respeito do ocorrido? O que aconteceu exatamente?
Eddie:
Acho que foi algo bem natural, o Caio é um músico que trabalha bastante, está sempre tocando com várias bandas, o Daniel é um cara muito talentoso tanto como músico quanto como produtor e todos nós sabíamos que uma hora ou outra cada um ia seguir seu próprio caminho, a Razonator é isso aí, são brothers que se juntam para fazer um som e todos são livres para ir e vir quando assim quiserem.
Júlio: Aconteceu de uma forma um tanto quanto natural. A banda deu uma pausa de dois meses, e isso fez com que Daniel e Caio dessem prioridade a outros projetos, fazendo com que a Razonator ficasse um pouco em segundo plano, e no fim eles optaram por não continuar na banda.

A banda também deu uma parada nas atividades. Comente o porquê do tempo que ficaram parados. É uma questão de encontrar novos integrantes capazes de realizar um trabalho condizente com a proposta musical da Razonator? Tem sido difícil essa procura?
Eddie:
Na verdade nós paramos por vários motivos, um deles foi que nós vimos que tínhamos que mudar de estratégia, nosso público é um publico diferente, o público do Southern Rock, digo. Outro motivo foi um problema que tivemos e acabamos tomando um prejuízo monetário: contratamos um serviço e ele foi mal feito e no fim das coisas tudo acabou do jeitinho brasileiro, quando a banda parou ninguém havia saído ainda, então não estávamos procurando novos integrantes nem nada, foi mais uma recuada estratégica para poder fazer a coisa certa, aquela coisa, um passo pra trás, um pulo pra frente.
Júlio: A pausa foi mais por um motivo de necessidade, havíamos feito muita coisa nos últimos tempos, e nos sentimos um tanto quanto esgotados com toda a situação. O Edu também estava menos focado na banda devido ao seu trabalho diário, logo não tínhamos todo o tempo de antes para ensaiar, compor e coisas do gênero.

Apesar das eventuais dificuldades enfrentadas, o que a música representa para vocês?
Eddie:
Música é o que eu realmente sou, ela faz parte de mim e eu faço parte dela, desde sempre, é o que eu sempre fiz na minha vida desde os nove anos de idade, acho que todo mundo tem, ou pelo menos deveria ter, uma ferramenta para poder se expressar espiritual e emocionalmente; pra mim, música é isso e muito mais, é tudo o que eu mais amo e sou, em relação às dificuldades, mesmo que eu morasse na rua, como já morei, jamais mudaria algo pra mim em relação ao que sinto pela música, até porque não é apenas algo que sinto, é algo que eu vivo, música é a minha vida, como eu costumo dizer: “Não fui eu que escolhi a música apenas, a música também me escolheu”.
Júlio: A música representa a minha vida. Ela reflete tudo o que penso e o que faço, e justamente essas dificuldades encontradas são desafios que fazem com que queiramos vencer, e passar por cima de cada barreira encontrada.

O Southern Rock atualmente se mostra em alta, com novos fãs do estilo surgindo a cada dia. Como vocês avaliam isso em relação à Razonator, especificamente?
Eddie:
O que é bom nunca morre, o Southern Rock é um estilo clássico, maduro, os fãs desse estilo são pessoas que ou são prematuramente evoluídas no sentido de gosto musical refinado ou são pessoas mais velhas que já ouviram de tudo e chegaram naquele ponto onde se consegue perceber a real qualidade e verdade musical. Pra Razonator isso é ótimo até por que esse também é o nosso objetivo, divulgar o Southern Rock e recrutar cada vez mais fãs para o estilo. Entre os fãs de Southern Rock, você tem fãs de varias vertentes do Rock, Blues, Classic Rock, Hard Rock, Metal, Thrash... só fã de rock modinha que não curte, ainda bem. (risos)
Júlio: Em relação a Razonator é ótimo, pois é um estilo nato dos Estados Unidos, e com a vinda do Lynyrd Skynyrd pro Brasil, isso ficou cada vez mais forte, despertando o interesse do público a esse tipo de som, então mesmo que não seja algo da nossa cultura, é possível ver que temos bastantes seguidores do estilo por aqui.

Como vem sendo o trabalho de composição da banda?
Eddie:
Como o principal compositor da banda, costumo compor de forma bem natural, não forço a barra, até porque compor pra mim é algo muito natural, posso fazer uma boa música todo dia, mas gosto de deixar aquele sentimento crescer até um ponto que você não aguenta mais e acaba colocando ele pra fora, acho que assim as músicas saem mais verdadeiras e mais intensas. Todas as músicas da banda são baseadas na vida real, coisas que realmente aconteceram comigo, às vezes uso analogias como no Blues e às vezes digo as coisas ao pé da letra. O Daniel também tinha uma música, a “Personality Crisis”, essa já estava pronta, só colocamos nossa pegada nela. O Júlio e eu também fizemos uma música nova juntos, se chama “Back From Texas”, já tocamos ela algumas vezes ao vivo e a gravaremos no próximo trabalho. Essa música foi aquela típica história de Jam Session: estávamos ligando os equipamentos para começar um ensaio, daí o Júlio começou a tocar um riff, eu perguntei pra ele o que era aquilo, ele disse que não era nada, então eu disse pra ele ficar repetindo, fui criando uma melodia e começamos a ensaiar ela só no “lalala”, depois eu fiz a letra falando sobre a minha experiência no Texas e estava pronta a música.
Júlio: Quase todas as músicas foram trazidas pelo Eddie, de suas bandas e projetos antigos, afinal, ele sempre foi um compositor, além de guitarrista e vocalista. Eu comecei a mostrar algumas ideias para ele assim que entrei na banda, então trabalhamos algumas coisas minhas também. O processo é todo feito em estúdio, desenvolvemos tudo, e já tocamos a música.

Vocês pretendem lançar um novo single. O que vocês podem adiantar em relação a este? Vocês já têm uma temática definida para a composição?
Eddie:
Nós já temos material suficiente para o álbum definitivo que começaremos a gravar assim que definirmos os novos músicos, baixista e baterista no caso, as novas músicas falam sobre a vida real, sobre as dificuldades, as superações, sobre amor, sobre guerra, sobre relacionamentos e seus altos e baixos, sobre amizade, sobre Deus e família, acho que Southern Rock é basicamente isso e é por isso que eu amo tanto o estilo.
Júlio: O trabalho agora vai ser praticamente iniciado do zero, pois só sobramos eu e o Edu, então realmente eu prefiro não comentar sobre o que vai sair disso. Só posso adiantar uma coisa, vai ser Southern, e vai ser MUITO Rock N’Roll!

Como músicos, vocês estão sujeitos às mais diversas situações, tanto boas quanto ruins. Qual foi o momento mais complicado pelo qual vocês já passaram, exceto a recente saída de Daniel e Caio?
Eddie:
Acho que cada dia é uma batalha, ainda mais se tratando de Brasil, como já toquei em Los Angeles e no Texas, comparando as coisas rola até uma “depressão” (risos). Mas o mais importante é ter consciência de que, no Brasil, o rock é um estilo de música fraco, é minoria, mas temos grandes bandas, o importante é trabalhar com seriedade, porque para bandas brasileiras vencerem é preciso trabalhar muito e continuamente, vejo muito o exemplo dos meus amigos do Torture Squad, os conheci há mais de 10 anos atrás, eles sempre foram a mesma ótima banda que são hoje, mas tiveram que batalhar por muitos anos até chegarem onde chegaram, é nesse tipo de pessoa que eu me inspiro, ficar tocando por tocar nos mesmos bares da cidade só pra ter “Like” no Facebook e seguidores no twitter não é vida, você não vê caras como os caras do Torture Squad na balada drogado pagando de rock star, mesmo eles sendo Metal Stars, tendo tocado por inúmeras vezes no Wacken, feito turnês e mais turnês europeias e muito mais, mas não, eles estão sempre trabalhando de verdade e é assim que nós nos comportamos também.
Júlio: É difícil escolher um momento em especial, pois ter uma banda independente de rock no Brasil é sempre uma batalha sem fim. Na minha opinião, é tudo uma junção de momentos bons e ruins, por exemplo, quando você faz um show satisfatório e tem o público em suas mãos, ou quando você chega ao ponto de precisar vender ingressos para tocar em certos eventos, ou mesmo não receber nenhum cachê por isso.

Vocês pretendem mudar algo em relação à identidade sonora da banda?
Eddie:
A música da banda é algo natural, seguimos o que sentimos, deixamos a música fluir, acho que é o básico da arte, liberdade.
Júlio: Acredito que mudar não seria a palavra certa, talvez amadurecer ao longo das composições. Os elementos Southern, e o Rock N’Roll, que é algo que influenciou diretamente o meu jeito e o do Eddie de tocar e compor, nunca vai desaparecer.

Para vocês, existe alguma fórmula para se conquistar o público apreciador de Rock e Metal hoje em dia?
Eddie:
Tendo música de qualidade, basta você fazer sua música chegar até eles. Claro que você tendo grana pra investir nisso você consegue mais rápido e mais facilmente, mas é só uma questão de estratégia mesmo, não tem mágica.
Júlio: Com esse lance de internet, todo mundo tem acesso a tudo, logo, é muito fácil você conquistar certo tipo de público. Basta jogar no facebook e mil pessoas podem ter acesso ao seu som. Talvez nem todas escutem, mais aos poucos a galera vai conhecendo. Acredito que a questão é ir mais além do que isso: é conquistar as pessoas não pelo rótulo, ou pela técnica, e sim pela sinceridade que você passa com a música, fazendo com que as pessoas se identifiquem, fazer com que elas pensem “nossa, isso aconteceu comigo”.

Quais são seus planos de agora em diante?
Eddie:
Pé na estrada como sempre, tocar o máximo possível, gravar, compor, é disso que se trata uma banda de rock.
Júlio: Primeiramente estamos à procura de um baterista e um baixista que consiga segurar o tranco. A ideia é fazer isso o mais rápido possível, e já entrar de cabeça em material novo.

Agradeço a entrevista. Gostariam de dizer algo antes de encerrarmos?
Eddie:
Gostaria de agradecer mais uma vez o espaço e a parceria. A todos os apreciadores da nossa música, Deus os abençoe e muito obrigado pelo apoio.
Júlio: Primeiramente, muito obrigado pela oportunidade da entrevista. Gostaria de agradecer a todas as pessoas que vem acompanhando o trabalho da Razonator ao longo desses últimos meses. Recebemos muito apoio da galera, que compareceram aos shows, que compraram nosso EP, e que mantinham contato conosco via internet, isso é o que nos deixa mais motivados a continuar. Acredito que o rock brasileiro precisa mais do que nunca de união, tanto dos fãs, quanto das próprias bandas, que só isso vai mudar o cenário, e fazer a coisa realmente ir pra frente.

Páginas Oficiais:
Reverbnation: http://reverbnation.com/razonator 

4 comentários:

  1. Joana...posso publicar essa entrevista em meu site, o Southern Rock Brasil?

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    1. Olá Filipi :) Pode publicar, sim! Esteja à vontade!

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  2. Não conhecia o som dos caras, é legal saber que bandas brasileiras invistam no estilo. Parabéns pela entrevista e, principalmente, pela iniciativa.

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