segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sinister Fate: quando destino e realidade se unem

por Joana D'arc


Pense rápido: quantas bandas de Shock Rock e Horror Metal você conhece e gosta? Certamente muitos citarão Alice Cooper, Gwar ou Marilyn Manson. Porém, outras bandas têm surgido representando, e muito bem, o estilo. Oriundos de Chicago (IL, EUA), o Sinister Fate vêm ‘aterrorizando’ as redondezas desde 2006. Como amantes do horror clássico e cult, os integrantes combinam o amor pelo macabro e pelo Metal com Punk, Shock Rock e com um espetáculo bastante teatral ao vivo, visando criar uma exibição o mais horripilante possível. O debut da banda “Grave New World” foi destaque no podcast “Talking Metal” da FuseTV e algumas faixas estão presentes na compilação “Dead Stars Risisng Vol.2” da Toxic Shock Records. Também tem recebido boas críticas de inúmeros sites, incluindo o Fearless Radio. Abaixo, uma entrevista realizada com a banda, onde David “Dave” Bates (vocal), Omen (guitarras), Drew “Pumpkin” Martin (baixo) e The Reverend Evil “D” (bateria) falam, de forma direta e sem firulas, a respeito do início da banda, as ligações entre horror e realidade, influências, planos futuros, entre outros aspectos. Acompanhem.

O Sinister Fate existe desde 2006, mas ainda é novidade para algumas pessoas. Conte-nos um pouco mais a respeito das raízes e da história da banda.
Drew “Pumpkin” Martin:
Bom, acho que devemos começar com o nome da banda. O nome Sinister Fate deriva do horror real. Nada pode ser mais sinistro do que o destino que se encontra à nossa frente. O destino e o fato de que estamos vivendo apenas para morrer. E mais: em primeiro lugar, simplesmente olhe o quanto a vida é sinistra. É quase teatral, você não acha? Amor e Perda, Guerra e Paz, Tragédia e Felicidade. O que pode ser mais cruel do que o fato de que você tem que passar por todas as experiências e tribulações da vida, simplesmente para falhar no final, ao fim de sua vida? Todos vivem para deixar algum tipo de marca na história. Se você não deixa sua marca, como você conseguirá ser imortal? Você será lembrado por algo que você fez? Tudo isso se resume em uma coisa: seu ‘Destino Sinistro’. As partes mais intensas da banda seriam derivadas do nosso estilo macabro de vida. Nosso fascínio com filmes de terror e, talvez, até mesmo nossa obsessão com Serial Killers da vida real. Também a forma como desfrutamos das fantasias carnais. A forma como abordamos o BDSM (N. do T.: forma de expressão sexual que tem o intuito de trazer prazer através da troca erótica de poder, podendo ou não envolver dor, submissão, tortura psicológica e outros meios) e as apresentações ao vivo no underground excêntrico, que são as belas ruas de Chicago.
David “Dave” Bates: A história do Sinister Fate, desde 2006, tem crescido cada vez mais. Tentei escolher as pessoas mais ‘loucas’ que pude pra se entregar a este modo de vida que eu abracei desde cedo. Tudo começou, talvez, como alguns músicos que se juntaram para escrever e executar algumas canções escritas em uma sala fria, num espaço de ensaio. Então, à medida que o Sinister Fate começou a fazer apresentações, tocando show após show, comecei a perceber que a música não era suficiente. Eu queria vítimas pra abraçar o que eu estava tentando transmitir. Assim, eu precisava não só da música, mas dos soldados certos. Talvez “soldados” não seja a palavra correta para os membros do Sinister Fate. Mas é o que trilhamos, o Sinister Fate gira em torno dos desejos carnais. O desejo preenchido com pensamentos impuros que se misturam, periodicamente, no fundo de sua mente. Os pensamentos violentos com os quais você sonha enquanto percorre um caminho. A vida é sofrida. Nós transmitimos isso com nossa música. Mostramos isso em nossos shows ao vivo. Sei que os integrantes vivem isso dentro ou fora do palco. O Sinister Fate é pra valer! Estamos aqui pra isso! É o que passamos. Nós vivemos isso!

Como banda, quais são seus objetivos e quais seriam os conceitos que vocês usam pra compor?
Omen:
Normalmente, nosso esquema pra escrever nossa música é simples: compomos da forma mais sombria e louca que podemos. Iremos distorcer sua mente o quanto pudermos e aí te ajudar a entender a teia que tecemos através das letras que unem tudo isso. Tiramos nossas ideias de uma infinidade de influências.
Dave: Sim. Liricamente, meu objetivo é fazer com que você sinta tudo o que descrevo. Como um poema ao acaso. Uma letra que você ouve e consegue captar a sensação de minhas palavras. Quase como se eu estivesse aí. Te tocando, enquanto você ouve. Seja o exemplo, Joana. Você poderia ser uma influência. A forma como sua pele é macia, o quão profundo é o castanho dos seus olhos. O que faríamos seria descrever seu corpo. Como seria o gosto, cheiro... Como seria provar esta carne por meio de um pouco de dor. Este é o conceito pelo qual tudo funciona quando compomos nossas músicas. Omen dá o retorno e descrição de minhas palavras por meio das cordas de sua guitarra, enquanto Evil “D” e Pumpkin passam minha dor. É um pontapé, quase literal, que eles trazem por meio de um “boom”. O objetivo final é você entender e sentir os prazeres da carne. Se agarrar naquilo que você deseja experimentar, mas ainda não foi corajoso o suficiente para encarar ou tentar. "Tão ansioso para jogar e, ainda assim, tão relutante em admitir”, (citação de Hellraiser).
Pumpkin: O objetivo final é você se libertar de todas as suas inibições. Não temer nada. Tentar de tudo. Nunca se envolveu em uma briga? Vá! Comece uma com alguém. Sinta a libertação quando você acertar aquela pessoa no rosto. Entenda a dor quando te baterem de volta. Não tem coragem de chamar uma garota bonita pra ir pra casa com você pra uma saideira? Seja cara de pau! Pergunte a ela. A resposta não vai te derrubar. Mas, e se ela disser sim? É isso o que você mais teme? O objetivo é desfrutar da vida. Prove de tudo. Não se prive de nada. Pegue o que você deseja. Nunca se deixe carente de nada. Isso é o que nós transmitimos em nossas músicas, assim como nos nossos shows.
The Reverend Evil "D": Francamente, no que me diz respeito, não há um objetivo real ou uma mensagem. Tudo se resume a você liberar seus medos. Temer é ser controlado. Ser controlado é ser um seguidor. Seguir é ser conduzido como uma ovelha. Ser uma ovelha nada mais é do que ser levado para o matadouro. Siga seus sonhos, seus desejos. Não deixe que ninguém o controle. O que passamos com nossas músicas é o medo. Controle seu medo. Controle o mundo em sua própria imagem.

Com toda a tecnologia disponível atualmente, como é tocar em uma banda que faz, especificamente, Horror Metal/Shock Rock?
Omen:
A tecnologia que é oferecida nos estúdios atualmente é incrível! Nos dá a oportunidade de levar às nossas ‘vítimas’ (N. do T.: os fãs são assim chamado por eles) uma produção mais limpa de nossas músicas. Ao mesmo tempo, sempre levamos as coisas muito a sério e trabalhamos tão duro quanto, se não mais duro, do que as outras bandas por aqui, a tecnologia agora disponível na produção em estúdio nos permite experimentar nosso estilo de música de várias maneiras. Permite-nos oferecer mais às nossas ‘vítimas’. Quase como se estivéssemos recriando o Frankenstein novamente. Como se estivesse surgindo uma nova fera para o mundo ver e abraçar. Isso acabou proporcionando uma oportunidade única pro Sinister Fate crescer musicalmente, o que, por sua vez, nos difere de outras bandas. A parte bacana é que isso não nos impediu em nada nossas habilidades de criar. Na verdade, isso pode até mesmo ter nos ajudado a ter uma extensão ainda maior.
Dave: Verdade! A tecnologia atual é quase uma benção. A sagacidade usada no estúdio ajuda muito na produção. Também a sagacidade promocional. Devido a coisas como a internet, somos capazes de ter nossas músicas divulgadas para uma base mundial muito mais facilmente. Contatando estações de rádio, publicitários, agentes, agentes de marketing ou entrevistadores como você, Joana. A tecnologia atualmente tem tornado as coisas muito mais fáceis!
Pumpkin: Tenho que concordar. Principalmente pra mim, eu sou o responsável pelos fins promocionais. Então a tecnologia tem feito as coisas, tais como a arte e divulgação da banda, uma tarefa muito mais fácil. Há um tempo atrás, para se fazer flyers era preciso ter uma cartolina, cola, tesouras e uma máquina de xérox em alguma papelaria na esquina. Portanto, a tecnologia nada mais fez do que melhorar as coisas.

Como vocês se organizam para trabalhar nas músicas?
Dave:
Vejamos... Normalmente alguém simplesmente começa tocando algo. Seja Omen, Pumpkin, “D” ou eu. Tudo começa com alguém tocando alguma coisa que nos chame a atenção. Não importa quem de nós seja. Alguém começa a tocar e faz com que pelo menos um de nós balance a cabeça. O próximo passo, sabe, é um pouco de aquecimento com ‘besteiras’ que se transformam em uma nova música do Sinister Fate. Não me leve a mal, a maioria das músicas surge de alguém com uma ideia realmente muito boa, sendo que é tudo meio que “Hey, caras. Vejam essa merda em que eu estive trabalhando.” Mas, a maioria do nosso melhor material foi escrito em instantes. Inicialmente, não há nenhuma ideia por trás disso. E aí, simplesmente, BOOM! Música nova. (risos)

Qual a opinião de vocês sobre os atuais meios que as bandas usam para divulgar seu trabalho e tudo o mais?
Pumpkin:
Bom, isso meio que volta à questão da tecnologia. Muitas bandas usam a mesma tática que nós pra conseguir a atenção do público. Por que não deveriam? Está aí. Use! Acho que o único problema que eu ainda tenho é em relação ao que é dito: é uma vergonha como muitas bandas por aí se rebaixam ou falam merda de outras bandas! Acho que muitas das bandas que falam merda, só o fazem pelo fato de que não querem se empenhar. Não sabem como crescer. Tudo o que tenho a dizer é “boa sorte” a todas as outras bandas por aí. Espero que possamos todos dividir um palco juntos algum dia.
Omen: Há muita coisa que eu posso falar a respeito das redes sociais, como tem ajudado e como tem prejudicado a indústria musical hoje em dia. Só resumindo pra você. Por um lado, isso definitivamente ajudou um monte de bandas emergentes, inclusive a nós mesmos. Ao mesmo tempo, porém, isso tem feito com que muitas bandas caiam numa espécie de negociação. Quer dizer, isso traz novamente a questão da tecnologia. Se você realmente observar, a história recente da música, as tendências e as bandas têm uma longevidade absolutamente menor nos últimos tempos. Então, eu acho que todos são meios Yin e Yang nesse tipo de negócio.

Como vocês veem a indústria musical atualmente?
"D":
Corrupta pra caralho! Não se pode confiar em ninguém. A indústria está inundada de bandas sem qualidade que alguém convenceu a você, consumidor, de que são bons. Burocratas filhos da puta! Traficantes de dinheiro, canalhas, comedores de merda! Perco meu tempo no rádio com mais da metade do lixo que existe por aí hoje! E quando acho uma banda que curto, vou comprar ingressos para vê-los ao vivo. Adivinha? Eles não soam em nada parecidos com o que acabei de ouvir no rádio ou com a merda do CD que acabei de comprar. Como eu disse: é corrupção pra caralho! Desperdício do meu e do seu tempo e dinheiro, e do tempo e dinheiro de todos! Encha a paciência de outra pessoa. Tire essa porcaria do meu rádio! E não me faça começar a falar sobre a maioria das companhias e gravadoras sem qualidade que tem nos cercado! Coloque dessa forma: venha com uma oferta real sobre a mesa ou vá se ferrar! Não tenho tempo pra essas porcarias. Essa pergunta simplesmente me irritou! Preciso de uma bebida agora. Cadê o Jack? (N. do T.: referindo-se ao whiskey Jack Daniels).
Dave: Acho que não há mais nada pra dizer a respeito. (risos) Pumpkin? Cadê os remédios do “D”?

Nossa! (risos) Bom, a parte instrumental e vocal do Sinister Fate são bem arquitetadas. Como vocês trabalham essa parte? E como são os ensaios?
Omen:
Pra mim, isso vai além de como os ensaios vão, ou de como somos como uma banda. O Sinister Fate é uma família! Este line-up é de longe o mais forte que já tivemos. Temos uns aos outros. Somos capazes de nos completarmos. Isso é mostrado em nossas músicas. Acredito que você só verá isso de verdade em nossas músicas quando vier e assistir um show ao vivo. E também em nosso desempenho.
Dave: Concordo plenamente. Quando eu e “D” começamos essa banda em 2006, o conceito surgiu e começou a crescer. Mas eu nunca previ o que seríamos hoje. Agora, com esse line-up, as características de Pumpkin e Omen são únicas. Palavras não descrevem isso. Você terá que ver. Tornar-se parte disso! Aí você vai entender o que quero dizer.

Qual foi a situação mais complicada que o Sinister Fate já enfrentou?
Dave:
Acho que eu deveria dizer que tudo que envolve estar em uma banda é difícil. Agendar shows, promoções. Nos mantemos, mas é tudo a mesma velha história. Porém, com esse line-up, até agora não vi nada como sendo um grande problema. Estamos prontos pro que der e vier! Então, acho que a situação mais difícil é o que lançaremos. Pra todos. Porém, Omen já tinha um pouco de trabalho feito antes dele.
Omen: Sim. Bom, recentemente tivemos uma saída na banda. Nosso guitarrista acabou saindo antes do último show que tínhamos em 2011. E eu tive que passar do contrabaixo para a guitarra. Bem, nunca gostamos de desistir. Então, ao invés de cancelar o show, decidi eu mesmo aprender o principal em menos de uma semana. Sem pressão. É! Nada de pressão! Ha!
Dave: Apesar de tudo, você sobreviveu! (risos) Omen fez um bom trabalho. O potencial dele tem melhorado a cada dia. Então, não há com que nós preocuparmos sobre nossos shows nos dias 27 e 28 de janeiro. Nós confiamos nele. Sem preocupações!

Vocês acham que o Horror Metal é um estilo com uma base sólida de fãs? Ou ainda há certa carência de apreciadores desse gênero?
Omen:
Um pouco dos dois. De um lado, há uma quantidade considerável de seguidores para o gênero conhecido como Shock Rock devido a bandas como Alice Cooper, Rob Zombie e Marilyn Manson, que é próximo ao que fazemos. Então, isso ajuda bastante. Ao mesmo tempo, não são muitas as pessoas que citariam outras bandas de Horror Metal ou Shock Rock. Enquanto nós definitivamente tentamos nos tornar conhecidos por todo e qualquer público possível, há um público que, inicialmente, temos como alvo quando fazemos a divulgação fora de Chicago.
Dave: Definitivamente somos apaixonados por filmes de terror, Clubes de S&M, Cenas Burlescas e as atrações do 'Barnum and Bailey Freak Show'. Acredito que são somente coisas que deixariam uma freira vermelha de tanta vergonha (risos). Mas é incrível como ‘loucos’ aparecem à noite quando você os seduz com uma ideia de tortura. Então, há uma base de fãs para nós. É só uma questão de eles virem ‘brincar’. Saiam, saiam, de onde quer que estejam.

O que vocês esperam para o futuro do Sinister Fate? Planejam tocar fora dos Estados Unidos?
Dave:
Nada menos do que a dominação do mundo pelo Sinister Fate (risos). Ok, talvez isso não aconteça. Mas, amamos o que fazemos. Esperamos que alguém lá fora abrace a banda e o que temos a oferecer! Quanto aos planos de sair dos Estados Unidos: oh, há planos, só não há recursos. Acredite, se pudéssemos sair pelo mundo, estaríamos fora daqui! Então, assim que encontrarmos um jeito, iremos a todos os lugares. Conte com isso!

Qual é a sensação de estar ao vivo em um palco?
Pumpkin:
É a melhor sensação que alguém poderia querer experimentar. Melhor que qualquer droga. As ‘vítimas’ são a cocaína. Elas nos estimulam!
Omen: Sem dúvida, as apresentações ao vivo são os melhores momentos da minha vida. Cada vez que subimos no palco, a adrenalina começa a subir loucamente. É a melhor droga que existe e eu sou viciado. Ser capaz de subir ao palco, apresentar e ver as ‘vítimas’ ali. Saber que estão ali só pra ver o Sinister Fate. Caramba! É a melhor sensação do mundo. Tipo, vamos lá! Poucos nesse mundo têm a chance de experimentar esse tipo de sensação em suas vidas. E os artistas que são espertos percebem isso e dão valor.
Dave: Sem dúvida. É a melhor sensação do mundo! Amamos nossos fãs, ‘Victims and Valentines’. Então, claro que os shows são pura agitação. Nós os reduzimos, porque não adianta tocar por muito tempo. Assim, nunca decepcionaremos o público. Sempre vamos além do nosso melhor! Então, nossos shows refletem isso.

Bom, obrigada por responder as questões. Alguma consideração final, algo a mais que queiram dizer?
Omen:
Bem, obrigado pela oportunidade, Joana. Obrigado a todos os nossos fãs e novos fãs!
Dave: Sim, Joana. Obrigado pela oportunidade de falar com você. Muito gratos por isso! Diga a todos para aguardarem nosso próximo vídeo, para a música “Fetish”. Está bastante ousado e contagiante! Também estaremos lançando um novo CD no fim de 2012. Ficará muito bom, prometo a vocês! Deem uma olhada na nossa página no Facebook, há músicas para vocês ouvirem de graça lá. Também lá é o lugar onde vocês podem ter sua própria dose do Sinister Fate. Vejo todos vocês lá!

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